segunda-feira, 23 de maio de 2011

No Ceará, pessoas com deficiência estão longe da escola

Inclusive - sala de aula vazia.

Em Fortaleza, apenas 2.600 alunos com necessidades especiais estão matriculados nas 461 escolas públicas
Palestras, seminários, congressos e debates, na teoria, a sociedade é ciente das dificuldades quando o assunto é inclusão de pessoas com deficiência nas escolas. Para se ter uma ideia da realidade, segundo dados do Senso Escolar 2010, dos 707 mil 251 estudantes matriculados na rede estadual e municipal de ensino do Ceará, incluindo Capital e Interior, apenas 24 mil 435 são crianças e jovens com deficiência, o que representa apenas 3,46% do total de alunos.
Na manhã de ontem, o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com deficiência do Estado do Ceará (Cedef), vinculado a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), promoveu, evento para debater a proposta de educação inclusiva baseando-se na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. O objetivo do encontro com mais de 60 entidades, foi realizar um diagnóstico da realidade atual no Ceará para implementar novas práticas na área da educação inclusiva.

Pesquisa
Atualmente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ceará está entre os cinco estados do País com maior ocorrência de pessoas com deficiência (17,34% da população) e Fortaleza possui 292 mil pessoas, destes, apenas 2.600 estão matriculados na rede municipal de ensino. Mas, muitas vezes, as dificuldades de inclusão começam dentro de casa.
O estudante Tiago Márcio Sales, 25 anos, aos 17, sofreu um acidente grave de moto e depois de 29 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado.
Mesmo sofrendo preconceito por parte de sua família, que não acreditava que ele poderia ser incluido novamente na sociedade, Sales voltou a estudar, concluiu o ensino Médio em uma classe regular de uma escola municipal e fez cursos de extensão na área da engenharia elétrica. Hoje, faz parte de movimentos à favor da inclusão de pessoas com deficiência na escola. “Eu nunca desisti de mim mesmo, pois apesar de todas as dificuldades, barreiras físicas e sociais, eu acreditei da minha capacidade. A política de inclusão é essência para o desenvolvimento da aprendizagem da pessoa com deficiência”, ressalta.
Para Antônio Alves Ferreira, presidente do Cedef, a educação inclusiva é fundamental, contudo tão importante quanto, é sair do alvo teórico das discussões e ir para a prática. “Estamos reunidos não somente para debater, mas para procurar soluções e estabelecer metas”, garante.
Da mesma opinião partilha a defensora pública Amália Rocha, assessora do gabinete da secretária da Justiça. Conforme ela, a palavra de ordem da Secretaria é efetividade. “Exercer o direito da pessoa com deficiência não é fácil, nem rápido, mas é uma luta constante e só se conquista no exercício do dia a dia. Momentos como esse são importantes para esclarecer dúvidas e pensar em estratégias”, afirma. Amália Rocha.

DIREITOS
Secretarias se unem a favor da inclusão
Salas com recursos multifuncionais, livros em braile, cadeiras especiais, equipamentos auditivos. Sonho? Não, realidade. As secretarias da Educação do Ceará (Seduc), Municipal de Educação (SME) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) estão realizando ações efetivas para garantir os direitos educacionais das pessoas com deficiência.
No ano passado, a Seduc criou o Centro de Atendimento Educacional Especializado do Estado do Ceará (Creaece). A unidade educacional, que funciona no prédio do Instituto de Educação do Ceará, reúne todas os serviços de apoio as diversas áreas de educação especial.
Segundo Gewada Weyne Linhares, assessora técnica da Coordenação de Diversidade e Inclusão da Seduc, o objetivo do Centro de Atendimento é gerar, socializar e aplicar o desenvolvimento de suas ações em todo o Estado, através do atendimento educacional especializado, da produção de material didático/pedagógico, apoio pedagógico específico e a formação de professores, pais e alunos.
Ainda de acordo com ela, até o fim de 2011, o Centro de Atendimento pretende capacitar mais de 8 mil pessoas da Capital e do Interior do Estado. “O Creaece foi implantado para constituir numa ação política pública integrada, em todas as esferas administrativas governamental, contando com a parceria das instituições públicas e privadas e a comunidade”.
Uma outra ação realizada, que está sendo realizada pela SME em parceria com a Seduc e a UFC, é o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, apoio à oferta de Atendimento Educacional Especializado (AEE). As salas disponibilizam mobiliários, materiais didático-pedagógicos, equipamentos de informática e outros recursos de acessibilidade.
Na rede estadual de ensino 200 escolas possuem esse recuso e na rede municipal já são 166 instituições. Segundo Rita Vieira, professora da Faculdade de Educação da UFC e coordenadora do curso de Formação de Professores em AEE, somente este ano, cerca de 3.500 professores da rede estadual e municipal de ensino estão sendo capacitados para atuarem nas Salas de Recursos Multifuncionais.
“A ideia é que as crianças e jovens com deficiência possam desenvolver suas capacidades cognitivas e motoras com recursos especiais durante o contra turno da escola. Assim, é possível eliminar várias barreiras de aprendizagens”, ressalta a professora da UFC.
 Por Karla Camila

 


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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aeroportos de Fortaleza e João Pessoa realizam cursos de Libras

Os Aeroportos Internacionais de Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB) realizam nesta semana o Curso Básico de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para empregados da Infraero e de empresas terceirizadas, que prestam serviços de atendimento ao público.
O treinamento capacita os funcionários para fornecer informações e auxiliar passageiros e usuários com deficiência auditiva, conforme as diretrizes da Política de Acessibilidade da Infraero e da legislação brasileira.
                                                 
Em João Pessoa, o curso conta com 17 funcionários e terá duração de três meses. Em Fortaleza, que recebe a atividade pela segunda vez, serão treinados 20 funcionários e as aulas acontecem até hoje (19/5). Está previsto para este ano um segundo treinamento para o Aeroporto Pinto Martins, devido ao interesse demonstrado pelos funcionários.

Fonte: mercadoeeventos

Manifestantes defendem educação especial para deficientes auditivos

Representantes de associação se reuniram com o ministro da Educação.
Eles querem escola que use linguagem de sinais como principal 'idioma'.

Tiago Falqueiro Do G1, em Brasília
Um grupo de aproximadamente 500 manifestantes protestou em frente ao Ministério da Educação nesta quinta-feira (19) contra a intenção do governo federal de fechar as escolas especiais e incluir os portadores de necessidades especiais, como cegos e surdos, em escolas regulares. Uma comissão formada por dirigentes de associações de deficientes visuais e auditivos foi recebida pelo ministro Fernando Haddad.
Os manifestantes querem a incorporação dos programas de educação inclusiva à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Em nota, o MEC disse que "o ministro da Educação, Fernando Haddad não pretende encerrar as atividades de nenhuma instituição ou escola destinada a estudantes com deficiência". Ainda segundo a nota, "o ministro ressaltou que o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU, 2006) e deve ofertar o direito a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. O acordo estabelece o compromisso dos Estados Partes com a adoção de medidas de apoio necessárias no âmbito da educação regular".
Manifestação em Brasília por educação para portadores de deficiência auditiva (Foto: Wilson Dias/ABr)Manifestação em Brasília por educação para portadores de deficiência auditiva
(Foto: Wilson Dias/ABr)

Participaram do encontro com Haddad representantes da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), do Instituto Nacional de Educação dos Surdos (Ines) e do Centro de Integração de Arte e Cultura de Surdos (Ciacs).
Em seguida, os manifestantes seguiram para o Congresso Nacional, onde iam se reunir com uma comissão de senadores. Paulo Vieira, presidente da Associação de Surdos de São Paulo, classificou a reunião como "difícil". "Existe um obstáculo muito grande para que eles entendam nossa posição. Não adianta dar um curso de 40 horas de língua de sinais os professores consigam receber alunos surdos e ouvintes na mesma sala", defende.
Nidia Regina Sá, professora da Universidade Federal do Amazonas, que acompanhava o movimento, pede mudanças no Plano Nacional de Educação. Segunda a acadêmica, termos como escola especial foram banidos do documento. "Eles querem transformar as escolas especiais em centros que prestam atendimento especializado, como fonoaudióloga, o que não é suficiente", afirma Nídia.
Para os surdos, os manifestantes defendem que há uma cultura própria, e que a primeira língua deles é Língua Brasileira dos Sinais (Libras). "Precisamos de escolas bilíngues, que ensinem o português a partir da Libras, como um índio, que tem outra língua materna e vai estudar depois", desta Paulo Vieira. O manifestante ainda lembrou para os perigos de se incluir crianças que não estão preparadas para o convívio dentro de uma escola regular.
"Eu mesmo estudei em uma escola para ouvintes e sofri bullying. Tenho conhecimento de casos de agressões graves, que a criança não consegue reagir porque não sabe se comunicar", conta. Já os cegos reclamaram de um abandono do braile. "Os cegos, nas primeiras séries, estão sendo relegados a meros ouvintes", reclama Maria Glória Mota, secretária da Organização Nacional de Cegos.
Segundo o Ministério da Educação, de 2002 a 2010, a inclusão em turmas regulares passou de 110.704 (25%) matrículas para 484.332 (69%) e o número de escolas inclusivas cresceu de 17.164 (8%) para 85.090 (44%), nesse período.
Regionalidades
Com representantes de nove estados (Pará, Maranhão, Rondônia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo), os manifestantes também lembraram das dificuldades que as diferenças regionais podem causar caso a educação especial seja toda transferida para escolas regulares. Jerônimo Ferreira Cavalcanti Filho, presidente da Federação de Apaes do Maranhão, falou da dificuldade ao transferir alunos.
"Ano passado, em Imperatriz do Maranhão, passamos 300 alunos para que a prefeitura incluísse no ensino regular, deixando a Apae, e somente 80 conseguiram vaga. Os outros perderam o ano", conta.

Fonte: g1.globo.com

UFC: Encontro discute inclusão de pessoas com deficiência

Quando o objetivo é tornar a Universidade acessível a pessoas com deficiência, o envolvimento do corpo docente e dos servidores técnico-administrativos é estratégico. Por isso, a Secretaria de Acessibilidade convida para mais um encontro do III Ciclo de Debates UFC Inclui, quinta-feira (19), às 14h30min.

O debate será em torno das "ações intersetoriais para a inclusão: condições administrativo-acadêmicas para identificação e acompanhamento de alunos com deficiência na UFC". O encontro será no Auditório do Centro de Tecnologia (Bloco 710), no Campus do Pici.

A presença de coordenadores de cursos, chefes de departamentos, gestores de centros e diretórios acadêmicos e professores é primordial uma discussão produtiva sobre o tema.

Os participantes da mesa-redonda são: Profª Sônia Castelo Branco, da Coordenadoria de Acompanhamento Discente; a psicopedadoga Tatiane Lima Régis, do Programa de Acompanhamento Psicopedagógico e Psicológico aos Estudantes Universitários (PAPEU); Profª Inês Mamede, da Coordenadoria de Projetos e Acompanhamento Curricular; o aluno Igor Peixoto Torres Girão, do Curso de Biblioteconomia da UFC; e a Profª Vanda Magalhães Leitão, Diretora da Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui, como mediadora do debate.

A Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui promove o Ciclo de Debates, que se iniciou em março e se estenderá até novembro de 2011, realizando um encontro a cada mês com um assunto diverso relacionado à inclusão de pessoas com deficiência.

Fonte: Portal da UFC

terça-feira, 17 de maio de 2011

EM APOIO A CAUSA DA FENEIS OS APAEANOS VÃO PROTESTAR EM BRASÍLIA CONTRA O FECHAMENTO DE ESCOLAS ESPECIAIS EM GRANDE MANIFESTAÇÃO.

Caros,
Apaeanos
O movimento apaeano irá participar da manifestação promovida pela Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos - FENEIS contra o extinção das escolas especiais IBC  e INES, especializadas na educação de surdos. Vamos protestar contra o fechamento destas instituições centenárias e nos posicionar a favor da manutenção das escolas especiais. Também vamos exigir um processo responsável para inclusão das pessoas com deficiência que respeite o direito de escolha deles e de suas famílias.

Desta maneira convidamos os apaeanos, suas famílias e os amigos da Apae para engrossarem esta voz!
A manifestação será realizada dia 19 de maio, quinta-feira com a concentração às 10h em frente ao Ministério da Educação na Esplanada dos Ministérios.

MANIFESTO DA ONCB CONTRA PROPOSTA DO MEC PARA EXTINÇÃO DO IBC E DO INES
NOTA PÚBLICA

A Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB, pessoa jurídica de direito privado de fins não econômicos, é uma organização constituída de instituições de ou para cegos, com representação Estadual ou Municipal, igualmente de fins não econômicos.  reconhece que a deficiência é um conceito em evolução e que resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras atitudinais e ambientais, que impedem sua plena e efetiva participação na sociedade, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.  Além disso, reconhece a importância dos princípios e das diretrizes das políticas, para influenciar a promoção, a formulação e a avaliação de políticas, planos, programas e ações em níveis nacional, regional e internacional para equiparar as oportunidades para estes Cidadãos. 
A ONCB torna público seu manifesto em desacordo com todas e quaisquer iniciativas de formulação, proposição e implementação de Políticas Públicas que venham interferir no Direito das Pessoas com Deficiência, e suas famílias, em fazerem as próprias escolhas com relação aos métodos de atendimento à Reabilitação, Saúde, Educação, Assistência Social, e as demais políticas que visem garantir o respeito pela dignidade inerente pela independência da pessoa e pela autonomia individual. Ressaltamos, ainda, a importância do Estado Brasileiro em zelar pelo respeito às capacidades em desenvolvimento das pessoas com deficiência e pelo respeito ao seu direito a preservar sua identidade. A ONCB apóia o processo de inclusão na sua totalidade, que deverá respeitar a opção, a realidade e as necessidades de cada indivíduo.
Neste sentido, a ONCB manifesta-se contrária a uma possível proposta do Ministério da Educação para a extinção do Instituto Benjamin Constant, IBC, e Instituto Nacional de Educação de Surdos, INES, por considerar a memória e a história dessas instituições e reconhecer a contribuição destas entidades para a construção da atual política de inclusão propagada pelo Ministério da Educação, que teve como base o saber produzido e acumulado por mais de um século e meio nessas instituições, que são referências para todos os cegos, surdos, familiares, profissionais e sociedade em geral.
Pensando na discussão dessa política de inclusão, a ONCB solicitou por diversas vezes audiência com o Sr. Ministro de Estado da Educação, Fernando Haddad, para tratar de assuntos diversos relacionados à educação das pessoas com deficiência, sem lograr êxito em nossas proposituras.
Percebe-se que a temática não é tratada de forma consistente e com prioridade pelos atuais gestores do Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial para um diálogo aberto e democrático, visando a construção coletiva, em que sejam consideradas as necessidades e as aspirações das pessoas com deficiência.
É essencial que se pense nas instituições especializadas como parceiras detentoras de saberes e práticas necessárias ao atendimento especializado às pessoas com deficiência. Devemos considerar a importância desses institutos que podem e devem ser parceiros das escolas regulares e, juntas, traçarem uma política de inclusão, que considere a opção, a realidade e a necessidade da pessoa com deficiência, que é o alvo do referido processo, bem como, os anseios de sua família.
Neste sentido, informamos, pelo exposto, que estamos à disposição para receber, discutir e encaminhar propostas, junto aos órgãos competentes, que venham validar idéias e desejos do segmento. Ainda sim, contamos com o apoio da sociedade para o engajamento nessa luta, pela verdadeira inclusão das pessoas com deficiência

Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONCB

Abril de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Contratação de Deficientes‏ - Caucaia/CE


A Empresa Aço Cearense Industrial - Caucaia, está com vagas abertas para contratação de Pessoas com Deficiência. Estas, serão contratadas inicialmente na condição de Aprendiz (1 ano) e farão curso de Auxiliar Administrativo no SENAI (Turma iniciando em junho 2011).
Ficando lotadas na área administrativa da empresa.



Benefícios:
Contrato de Aprendizagem
Carga Horária: 4h (Manhã ou tarde)
Bolsa: R$ 370,00 (média)
Plano de Saúde Unimed 100% para colaborador
Vale Trasporte Eletrônico
Refeição na Empresa
Curso Assistente Administrativo SENAI (1 ano)
Obs:Possibilidade de Efetivação após contrato de 1 ano.

Priscilla Ibiapina
Psicóloga (CRP 11/06036) - Analista de RH
Aço Cearense Industrial LTDA
www.acocearense.com.br
( Fone: (85) 3521 - 8330
( Fax: (85) 3342 - 5814
* E-mail: priscilla.ibiapina@acocearense.com.br

XXIV Congresso Nacional das APAEs - Belém do Pará


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Além dos limites

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Francisco Almeida: talento reconhecido também fora do estado. O artista disse que a fórmula para combater a doença que o acomete é trabalhar intensamente
FOTO: KID JUNIOR
Ao artista cabe ser indômito. Superando limitações impostas pelo corpo e outras, abusivas, motivadas pelo preconceito e por falta de políticas públicas, artistas e público encontram novos caminhos que levam aos território da criação
Como é a relação dos portadores de necessidades especiais com a cultura e o fazer artístico? Quais as principais limitações e soluções de acessibilidade? Que projetos são destaque em Fortaleza? Qual a importância da música, do teatro, da literatura e de outras linguagens para os que convivem com alguma deficiência? O Caderno 3 investigou essa questão a partir do depoimento de realizadores e profissionais ligados à área.

Um deles é o artista plástico e xilogravurista Francisco de Almeida, cujo nome já é destaque no Ceará e em outros estados. Portador da doença Charcot-Marie-Tooth, que impõe uma diminuição da sensação dos membros, em especial das pernas e pés. Nos casos mais graves, pode ocorrer a atrofia muscular.

Aos 48 anos, Francisco tem dificuldades de movimento e na fala. A voz sai confusa ao telefone, mas nem por isso deixa de expressar a alegria inerente ao espírito desse cearense nascido em Crateús. "Estou bem de ficar na cadeira de rodas. A fala também foi afetada e ultimamente tenho sentido na visão e na memória. Da audição, perdi 35%", contabiliza o artista.

A estratégia de Francisco para lidar com a doença é trabalhar muito. "Dia desses, comecei às 6 horas e fui até 23 horas. Produzir bastante faz bem à mente, à alma e ao coração", aconselha. Demanda, ainda bem, não falta. Após finalizar a consagrada xilogravura "Os quatro elementos", de 20 metros (que marcou sua presença na VII Bienal do Mercosul, realizada em Porto Alegre, em 2009, e hoje encontra-se no Museu Afro Brasil, em São Paulo), Francisco atualmente dedica-se a outro painel, encomendado para o Aeroporto da Capital cearense.

"Comecei em março e termino ainda neste mês. Diferente do primeiro, mais centrado na religiosidade e em elementos da cultura popular, este traz elementos do Ceará, como a renda, a jangada e outras coisas", explica o gravurista.

Até o fim deste mês, Francisco também precisa finalizar outro painel, porque foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2010. "Isso é um conforto, porque o importante é a cabeça. Não dá tempo pra pensar em outra coisa".

ADRIANA MARTINSREPÓRTER
 

Missão: acessibilidade

Para permitir que os portadores de deficiência tenham acesso a filmes e vídeos, alunos e professores da Uece somam esforços e conhecimentos
Entre os projetos de maior destaque no Estado voltados à acessibilidade de portadores de necessidades especiais está o Lead - Legendagem e AudioDescrição, grupo de estudo filiado ao grupo de pesquisa da Universidade Estadual do ceará (Uece), coordenado pela professora Vera Lúcia Santiago.

O grupo, criado em 2008, reúne 12 alunos do curso de Letras, do mestrado em Linguística Aplicada e da especialização de Formação em Tradutores da Uece. "Com o objetivo de atuar no mercado profissional, fundamos em 2010 a Associação dos Tradutores Audiovisuais do Brasil - Atav, que funciona paralelamente às pesquisas do grupo", explica Bruna Leão, integrante do Lead e do Atav.

"A associação já realizou alguns trabalhos pagos, como a audiodescrição do vídeo coletivo ´Fortaleza em Todos os Sentidos´, da Vila das Artes, equipamento da prefeitura de Fortaleza", complementa a mestranda.

Além de filmes e vídeos, o grupo trabalha com peças de teatro e exposições. Bruna explica que a tradução audiovisual tem várias modalidades, como a dublagem, a voice over (voz em off), a legendagem normal e aquela para surdos e a audiodescrição - estas duas últimas, objetos de pesquisa do Lead. "A audiodescrição consiste na tradução das imagens em palavras. Por exemplo: em momentos de silêncio de um filme, quando só há trilha sonora ou ação, sem diálogos, o cego não sabe o que acontece. Então descrevemos as imagens e a incluímos no filme como um segundo áudio", esclarece a mestranda.

"A descrição inclui ainda informar mudanças de cenário, de tempo e outros aspectos desse tipo. Procuramos inseri-la em espaços de silêncio do filme. Fazemos sobreposição de áudios apenas quando extremamente necessário", diz Bruna.

Já a legendagem para surdos é diferenciada por contemplar outros elementos, como a identificação do personagem falante e de efeitos sonoros. "Por isso esse tipo de legenda é um pouco amais condensada", observa a estudante.

Em museus, o trabalho consiste na descrição das obras. "Os visitantes recebem um MP3 com o áudio. Às vezes conseguimos articular esse recursos a outros, como o piso tátil, que sinaliza onde está cada obra. Ou quando eles podem tocar as obras", afirma a integrante do grupo.

No teatro, diferente do cinema, a audiodescrição é ao vivo. "Utilizamos aqueles fones de tradução simultânea, para não atrapalhar os outros espectadores. Por um fone eles escutam a descrição; pelo ouvido livre, os diálogos e a trilha", esclarece Bruna. "As salas de cinemas também deveriam ser equipadas com os fones, para sessões mistas (deficientes e não-deficientes). Mas são raríssimas", lamenta a estudante.

Público do futuro
"Fizemos, por exemplo, a primeira mostra de filmes acessíveis do Cine Ceará, na 19º edição do festival. Elaboramos também a audiodescrição das peças ´Astigmatismo´, de uma turma do Curso Princípios Básicos de Teatro; ´Curral Grande´, de formandos do Curso de Arte Dramática da UFC; do solo de dança ´Magno Pirol´; e da peça ´A Vaca Lelé´, enumera Bruna.

Esta última foi um dos primeiros trabalhos do Lead voltado ao público infantil. "Percebo que eles são muito mais preparados para receber os recursos do que os adultos. Muitos nunca tinham ido ao teatro ou usado fones de tradução, mas não tiveram dificuldades em acompanhar", recorda Bruna.

"O público adulto é mais relutante, acomodado. Se prepararmos e investirmos nas crianças, são elas que, mais à frente, irão brigar pelos diretos dos deficientes", acredita a mestranda, cuja dissertação aborda exatamente a audiodescrição para o público infantil.

Mobilidade
Outra dificuldade mencionada por Bruna nos projetos do Lead é o transporte dos portadores de deficiência. "Se não providenciamos locomoção, não há público nos eventos, diferente do que acontece em outras cidades", lamenta a estudante. A mesma queixa aparece na fala de João Monteiro, jornalista e coordenador do Laboratório de Inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, do Governo do Estado. "Coordeno o laboratório há 20 anos. Se você me perguntar qual principal entrave que temos hoje eu respondo: transporte", critica Monteiro.

"A cidade não tem projeto de acessibilidade, e é consenso entre paraplégicos e tetraplégicos, por exemplo, que o ônibus adaptado não resolve. Como eles podem percorrer cinco quarteirões até o ponto, se não há calçadas, se há buracos, barreiras? Além disso, só para entrar no ônibus são uns 15 minutos. A única saída para cadeirantes é o transportes específicos", afirma Monteiro. "Eles tem que ser levados do ponto de partida ao ponto de chegada. Como não acontece, a maioria que não dispõe de transporte particular ou não pode arcar com taxi está em casa. Alguns corajosos ainda enfrentam tudo isso pelo trabalho ou estudo, mas são poucos", complementa.

Criado em 2008, o Laboratório de Inclusão da STDS vem sendo desenhado desde 1991. "Começamos comum programa de estágio curricular universitário para estudantes em situação social vulnerável, ou seja, portadores de HIV, vítimas de câncer, de orfandade prematura - qualquer condição que atrapalhasse a obtenção de um estágio", recorda Monteiro.

Em 2004 o programa de estágio transformou-se em um projeto mais amplo, com ações que incluíam também pessoas com deficiência. "Hoje temos uma equipe multidisciplinar, com assistentes e cientistas sociais, arquitetos, pedagogos e outros. Temos dentro da STDS 40 vagas de terceirizados, que começamos a mapear em 2006, cruzando as exigências de cada função com as características de cada deficiência", explica Monteiro. "Atualmente todas são preenchidas por portadores dos quatro tipos de deficiências: cognitiva, auditiva, visual e motora. Isso chama-se inclusão qualitativa. Trabalhamos exclusivamente com geração de emprego e renda, não com assistencialismo", ressalta o coordenador.

Dentre os projetos do laboratório de Inclusão está o grupo Acessibilidade Apresenta, que reúne músicos, atores, bailarinos e artistas plásticos. A iniciativa, criada em 2010, é coordenada por Sérgio Rotschild.

"Por meio desse projeto o Sérgio descobre pessoas incríveis, como Ítalo Gutierrez, estudante de17 anos, cantor e compositor. Ou a cantora Bia Marques, que inaugurou as apresentações do grupo. Ambos são deficientes visuais", esclarece Monteiro.

"Mas para participar, o interessado passa por uma seleção. Ele já precisa ter nível de mercado, porque não trabalhamos com formação, mas com inserção", observa o coordenador.

MAIS INFORMAÇÕESPara saber mais sobre os projetos, acesse www.leaduece.blogspot.com
www.atavbrasil.blogspot.com e www.laboratoriodeinclusao.wordpress.com

ADRIANA MARTINSREPÓRTER

Companhia de dança desafia restrições
Outro contemplado no pelo I Edital de Incentivo às Artes para Pessoas com Deficiência, da Secult, foi a Cia de Dança Sobre Rodas, projeto ligado à Associação Elos da Vida, em Fortaleza. Dirigida pela fisioterapeuta e coreógrafa Renata Távora, a companhia é formada por 20 cadeirantes e cinco andantes.

Na mostra de vencedores do edital, o grupo apresentou o espetáculo "Mudanças", no Teatro Marista (Faculdade Católica do Ceará). "Lá existe acessibilidade também para atores. Já deixamos de nos apresentar em alguns teatros por conta disso", lamenta Renata.

Simbologia
A Cia de Dança Sobre Rodas foi criada em setembro de 2002. "Para participar como bailarino temos fila de espera, porque nossa sala de ensaio acaba se tornando pequena, por conta das cadeiras", ressalta Renata.

"A ideia surgiu logo depois que me formei em fisioterapia. Queria, de alguma forma, aliar a atividade à dança. Após pesquisar, realizamos um curso de capacitação de bailarinos com deficiência e, depois, trouxe a fisioterapeuta Rosângela Bernabé, do Rio de Janeiro, para ministrar outro curso, com o objetivo de aperfeiçoar nossa técnica.

Atualmente a Cia planeja outro espetáculo, intitulado "Roda da Vida". "Tem a simbologia da roda, presente na cadeira, que remete ao fato de a vida não ser plana, ter momentos diferentes, altos e baixos", analisa Renata.

"Todos do grupo estão responsáveis pela coreografia, figurino, cenário. A previsão é só para ano que vem, porque ainda buscamos patrocínio", avisa a diretora.

Projeto para inclusão social

Acopiara. Este Município, no Centro-Sul, está entre as dez melhores práticas do Projeto Inclusão social da pessoa com deficiência do Ceará. A ação é desenvolvida por meio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social e o Governo do Estado e atendeu a 100 deficientes.

As ações são descentralizadas e o atendimento aos deficientes foi feito em três Centros de Referência da Assistência Social (Cras), em bairros da periferia. O programa incluiu atividades de artes plásticas, terapia ocupacional, ensino da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e de Braille.

A secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Aldanila Holanda Oliveira, explicou que o Município é um dos destaques no projeto porque foi desenvolvido de forma descentralizada e com a participação da família dos deficientes. "Incluímos a família para reduzir o isolamento e a discriminação que os deficientes enfrentam", disse. "Levamos o projeto para próximo das pessoas, facilitando o acesso".

As atividades começaram, ainda, em 2010, após uma campanha de sensibilização junto às famílias das pessoas com deficiência física, mental, visual e auditiva, com o objetivo de atraí-las ao projeto. Técnicos das unidades do Cras e Agentes Comunitários de Saúde realizaram visitas domiciliares e distribuíram panfletos com informações sobre as ações a serem realizadas.

Aldanila disse que o Município já encaminhou novo projeto à Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado para dar continuidade ao projeto. "Queremos continuar com a parceria. Os resultados foram positivos e as famílias atendidas aprovaram as ações, que resultaram na inclusão social".
 

Na ponta dos dedos: Instituto Hélio Góes oferece aos portadores de deficiência visual educação infantil, ensino fundamental e reabilitação, além de cursos de braille aos seus familiares

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Luciana Santos dos Anjos: escritora, a jovem é autora do livro "Mistérios da Adolescência" e faz parte da Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos
FOTOS: GEORGIA SANTIAGO
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Professor aposentado, Celso Florêncio do Nascimento, 69 anos, tornou-se um leitor voraz de obras em braille e audiolivros
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Juan Pablo: aos 8 anos, o menino é voluntário do projeto Curumim, que realiza gravação em áudio de obras escritas


Para muitos portadores de deficiência visual em Fortaleza, a Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC) é quase uma segunda casa. Seja como paciente do Hospital Alberto Baquit Júnior, como aluno da escola Instituto Hélio Góes ou como frequentador da Biblioteca Braille Josélia Almeida, entre outros espaços da instituição, é lá que se encontra a rede de apoio mais estruturada do estado. Inclusive, no que diz respeito ao acesso à cultura.

O Instituto Hélio Góes é uma escola curricular, reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação, que oferece educação infantil, ensino fundamental e reabilitação, além de atendimento para pessoas com outras deficiências (cognitiva, auditiva, motora etc.) e cursos de braille voltado aos familiares dos deficientes visuais (com objetivo de ajudá-los a acompanhar o desempenho dos filhos). A Educação Artística inclui atividades da dança, teatro e música.

"São 10 alunos por sala, inclusive do Interior e alguns de boa visão. Na Reabilitação, o número de assistidos é grande, por isso há dias alternados para as atividades", esclarece a professora Andreia Barros. Além de receber doações, o Instituto se mantém com parte da renda do Hospital Alberto Baquit Júnior e da Unidade Oftalmológica Iêda Otoch Baquit (que atendem pelo Sistema Único de Saúde, particulares e por convênios).

Na escola, Andreia é responsável por um dos espaços mais privilegiados, a biblioteca - cujo acervo é composto por livros em formato tradicional, em Braille e gravados em áudio. As temáticas vão desde a infantil até obras de preparo para Enem e concursos públicos.

Dedicação
Foi lá que, logo pela manhã, encontramos a aposentada Socorro Guedes Almeida, voluntária há mais de um ano da escola. Embora ocupada com uma pilha de livros para carimbar, esbanjou simpatia durante a entrevista. "É muito bom ser voluntária, servir ao próximo. Aqui a gente aprende tanta coisa, inclusive o exemplo vindo das pessoas com deficiência, e o amor dos funcionários pelo seu trabalho. Além de tudo, desenvolve os neurônios para evitar a esclerose", brinca.

"A tarefas dependem da necessidade. Às vezes catalogamos CDs e DVDs, encapamos livros. Uma vez por semana também participo do projeto Livro Falado, leio obras para gravação, que depois são escutadas pelos alunos e assistidos. Atualmente estou gravando um livro sobre igrejas do Ceará. Como é grande e as sessões duram apenas uma hora, devemos terminar até o final do ano", explica a voluntária.

O Setor de Livro Falado é um dos mais procurados no Instituto, por permitir de maneira imediata o acesso à literatura. Outro pequeno colaborador desse projeto é o aluno Juan Pablo, de oito anos, portador de cegueira total. Há dois anos ele é voluntário do projeto Curumim, no qual crianças realizam as gravações de obras escritas. Todo articulado, Juan explica que grava no estúdio do Instituto algumas vezes à tarde, depois das aulas. "Venho com a mãe de um colega ou de transporte. Escuto a história uma vez e regravo todinha. Eu escolho ou peço sugestão pra tia (professora)", conta.

"É importante, porque muitas crianças não têm condições de comprar os CDs. Por isso gosto de gravar, é bom fazer a alegria delas, a gente fica feliz também", explica, do alto da sua maturidade de quem está na alfabetização. "Estamos aprendendo letra V em Braille. É fácil, mas nas provas é mais difícil", diz com uma lógica tão inocente quanto desconcertante.

Uma das histórias preferidas de Juan é a do Patinho Feio. "Mas mudei um pouco, coloquei o patinho bonito, porque feio ele era maltratado. Às vezes faço histórias sem pé nem cabeça", diverte-se, enquanto sai da biblioteca rumo à aula de música. "Estou aprendendo violão e piano, mas queria mesmo era tocar bateria", confessa o pequeno.

Atualmente o Curumins inclui 32 crianças voluntárias, de 4 a 12 anos, que são acompanhadas pelos professores durante as atividades. Normalmente são filhos de funcionários, voluntários ou assistidos. Nem todas fazem gravação, algumas ficam na biblioteca, contam histórias, organizam livros e brincam com outras crianças.

Literatura
Outro destaque do Instituto é a assistida e ex-aluna Luciana dos Santos dos Anjos, de 19 anos. "O assistido pode fazer muitas atividades, como pegar livros em Braille ou falados", ressalta a jovem, que há um anos entrou para a Alasac - Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos.

Projeto pedagógico criado em 2008, a Alsac visa promover os talentos artísticos da Instituição, além de mostrar aos alunos o funcionamento de uma Academia de artes. O professor responsável pelo projeto, Paulo Roberto Cândido, é deficiente visual, dá aulas de informática no Instituto e é membro da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará (Amlece).

"Temos as cerimônias, com toda a postura e os rituais de uma Academia. Todos os 20 membros, entre crianças e adultos, são cegos ou têm baixa visão, e já publicou um livro, texto ou teve o trabalho em destaque na mídia. Tem gente que canta, compõe, dança, faz cordel e trabalhos manuais. Os novos integrantes são indicados pelos atuais", ressalta Andreia.

Luciana, por exemplo, entrou no lugar de Mikaele Coelho, que faleceu aos 18 anos vítima de doença degenerativa, após ter escrito o livro "A pequena flor". Assim como sua predecessora, a jovem é afeita das letras. Já se classificou em concurso de poesia e, em 2009 publicou um livro, chamado "Mistérios da adolescência", sobre as experiências de seis amigos.

"À época, escrevi à mão, em Braille, porque ainda não tinha computador. Agora estou escrevendo o segundo, chamado ´Rodrigo´, que é um garoto popular na escola", resume Luciana. "Este estou escrevendo com o Dosvox (programa de computador específico para deficientes visuais), uma coisa mais moderna", brinca Luciana. "Estou tentando fazer a história bem construída, gosto de escrever para o público adolescente. Depois vou procurar alguma editora interessada", planeja.

Sede de conhecimento
Outro frequentador da biblioteca do Instituto é Celso Florêncio do Nascimento, 69 anos, aluno da reabilitação. Por conta de uma infecção após cirurgia de catarata, ficou parcialmente cego em 2006. "Vejo um pouquinho de claridade, só", explica o professor aposentado. "Devido à profissão, andava sempre com um jornal, um livro. Minha primeira preocupação foi não poder mais ler", recorda. "Então procurei o Instituto, e como vinha com tanta vontade, aprendi o braille em um mês e meio. Depois aprendi o caminho da biblioteca e nunca mais esqueci", brinca Celso.

Ele também é usuário do Setor de Livro Falado. "É um recurso excelente, uma forma de continuar ´lendo´. No Braille temos que nos concentrar muito para ler e escrever, e não pode ficar muito tempo sem praticar, senão esquece, perde o tato. No alfabeto são 26 letras (contando K, W e Y), no Braille são 63 símbolos, as pessoas se engancham. No livro falado não precisa disso", ressalta.

Recentemente, Celso escutou o livro "Memórias de uma gueixa". "São 16 CDs, achei muito bem escrito. Também ouvi ´Ensaio sobre a cegueira´. Agora estou escutando ´Iracema´", contabiliza. Também membro da Alasac (ele já escreveu um cordel depois de participar de oficina no Sesc da capital), Celso realiza dois projetos no Instituto. No "Saiba Mais", conta a alunos e assistidos histórias de nomes de ruas de Fortaleza. Já no projeto "Ler Faz Bem", uma pessoa leva um livro, e, na volta, apresenta síntese da obra.

Contribuição
A biblioteca conta ainda com a ajuda de Igor Peixoto, 23 anos, aluno de do curso de Biblioteconomia da UFC. Em seu trabalho como voluntário no Instituto, realiza uma troca de experiencias bastante rica com Andreia. "Ele traz o aprendizado do curso para otimizar biblioteca", comemora a professora.

Igor também dá palestras para as crianças. "Falo sobre as bibliotecas mais importantes do mundo, a evolução desse espaço e de como se portar nele, sobre a importância da leitura e da escrita", detalha o estudante.

Embora usuário do Setor de Livro Falado, Igor defende o Braille. "O livro gravado é ferramenta prática de inclusão, mas o Braille é nosso elo com a leitura, um elemento importante dede identidade cultural".

ADRIANA MARTINSREPÓRTER
 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Prioridade a crianças especiais

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A terapeuta ocupacional, Regina Benea, mostra uma das atividades que ajudam o bebê a aprender a ter equilíbrio do tronco para depois sentar. Também ajuda a criança a ter segurança
FOTOS: WALESKA SANTIAGO
Mães da cidade de Horizonte aprendem a proporcionar uma melhor qualidade de vida aos filhos especiais
Horizonte Ter uma vida crescendo dentro de si é algo singular. É ter a certeza de que milagres existem. E, quando chega este momento, a mãe passa a existir em função de outro ser. Desde então, a hora de poder tocá-lo, beijá-lo, parece não chegar, mas os sonhos e pensamentos de como o bebê será passam a fazer parte da mulher desde quando ela sabe que está grávida. O futuro do filho começa a ser imaginado. No entanto, para algumas mães, este vir a ser fica incerto, pois, por algum motivo, seus filhos nascem com deficiências, que vão comprometer o desenvolvimento físico e neurológico dos pequenos. Porém, o importante é saber que o amor e a força delas para superar as dificuldades junto com eles é maior. E, no Município de Horizonte, as mulheres encontram apoio no "Luz do Amanhã - Projeto de Mães com Filhos Especiais".

Conforme a coordenadora do projeto, Regina Benea Moura Menezes, e terapeuta ocupacional, nos encontros que acontecem uma vez por mês, no Centro de Reabilitação Funcional - no Centro Integrado de Saúde Dr. Memória - as mães recebem orientação para saber como lidar melhor com os filhos. Trata-se de informação e treinamento dos pais, atualmente 50, sobre o desenvolvimento integral da criança especial.

Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Nutrição são áreas trabalhadas nas reuniões. Por meio de palestras educativas, oficinas e dinâmicas, o grupo de mães aprende a proporcionar às crianças uma vida melhor. "Com os encontros, além de desenvolver o estímulo nas crianças, é um momento no qual elas podem trocar experiências e mostrar suas superações. Queremos transmitir que elas foram abençoadas e devem se sentir orgulhosas pelos filhos que têm", disse Regina. Segundo ela, participam crianças de todas as idades, a maioria com paralisia cerebral, mas têm, também, com Síndrome de Down, microcefalia, entre outras deficiências. "Ensinamos às mães como estimularem os movimentos do corpo, como dar banho, como comer".

Para a fisioterapeuta Ana Kecia Queiroz, é gratificante o trabalho realizado no projeto. "Esclarecemos as patologias dos bebês e é muito bom a gente ver que tem resultado e que elas confiam na gente". Em função dos resultados, o projeto ganhou o Prêmio do Município Inovador, da Aprece. "É uma lição de vida. Esse projeto, que começou a funcionar em 2009, foi qualificado como inovador e vai servir como piloto para outros Municípios", disse Regina.

Segurança
As mães confirmam os benefícios. A dona de casa, Luíza Fernandes da Costa, de 40 anos, contou que ficou até mais segura depois que começou a participar do "Luz do Amanhã". "Eu achava que só eu tinha o problema, as pessoas ficavam olhando para minha filha, que hoje tem 17 anos. Aprendi a lidar com ela, a cuidar melhor. Não sabia mastigar, hoje come, anda, estuda. Agradeço a todos".

O filho da dona de casa, Ana Maria Pereira, de 48 anos, tem 6 anos e também teve paralisia cerebral, com a falta de oxigênio no momento do parto. "Antes, ele não se sentava, não se mexia, hoje já faz tudo isto. Sei que, um dia, ele ainda vai andar, com a graça de Deus". Assim também está o filho de Francisca Antônia Ferreira dos Santos, de 30 anos. "Este projeto é um aprendizado para a gente. Meu filho está ótimo, é um presente de Deus". Além de Regina e Kecia, fazem parte do projeto, a fonoaudióloga Ana Karine, os fisioterapeutas Rafael Holanda e Charles Vasconcelos e a diretora do Centro de Reabilitação, Sergiana Carvalho.

MAIS INFORMAÇÕES
Projeto Luz do Amanhã
Centro de Reabilitação Funcional

Rua Santa Edwirges, 36

Município de Horizonte

Evelane BarrosSubeditora do Regional
 

Ceará: empresa vai além de cotas e exige terceirizados


Lissandra têm deficiência auditiva e é funcionária da Cagece
Lissandra têm deficiência auditiva e é funcionária da Cagece

Pioneira na contratação de pessoas com deficiência no Ceará, Estado que tem maior percentual de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) tem profissionais com deficiência se aposentando, que entraram na empresa em 1971. A empresa porém não se dá por satisfeita e busca estagiários e aprendizes com deficiência, além de exigir que suas prestadoras de serviço busquem também estes profissionais.
De acordo com a supervisora de serviço social da Cagece, Niédja Pinheiro, mesmo antes da necessidade de cumprimento da cota em concurso público, a companhia sempre teve empregados com deficiência em seu quadro funcional. Mas foi por meio da reserva de vagas nos concursos que a empresa pública atingiu o percentual mínimo de pessoas com deficiência contratadas.
Agora, a inserção de jovens por meio dos estágios e do programa de Menor Aprendiz (Primeiro Passo), além da exigência de alocação de mão-de-obra com deficiência no contrato de prestação de serviço com terceiros, por meio de um termo de referência, é uma demonstração do compromisso da empresa com o tema. “Claro que as contratações são realizadas com o devido cuidado de alocar o profissional deficiente, de modo a desenvolver e aproveitar as competências, mantendo assim a inclusão do profissional na empresa”, explica Niédja.
A companhia tem 3,7 mil colaboradores, entre empregados, terceirizados, estagiários e menores aprendizes, sendo que atualmente emprega 14 pessoas com deficiência diretamente e conta com mais cinco estagiários. O número de pessoas com deficiência contratadas indiretamente por conta da exigência dos prestadores de serviço ainda está sendo levantada. Para ampliar este número, no entanto, a Cagece criou recentemente uma área denominada Supervisão de Serviço Social, que deve estabelecer diretrizes para ampliar as contratações de profissionais com deficiência de forma institucionalizada.
“Sabemos que a inclusão social é efetivada por meio de políticas, que além de oficializar, viabilizam a inserção dos indivíduos”, afirma. Além disso, algumas reformas nas isntalações da empresa de água e esgoto estão em andamento tais como: rampas de acesso, cadeira de rodas em pontos estartégicos, construção de banheiros de acordo com as exigências legais e também garantia de vagas para deficientes no estacionamento.

Um passo para o futuro
Alissandra Souza de Góes Pontes, 20, é deficiente auditivo e está tendo sua primeira oportunidade de emprego na Cagece. “Estou gostando muito. É muito rico para mim. Todo mundo me ajudou e eu aprendi rápido. As pessoas me ensinaram o serviço e eu ensinei Libras (língua dos sinais)”, disse. Segundo ela, o começo de sua atuação profissional não foi fácil. “Senti vergonha, no início. Fiquei tímida”.
Com o tempo a coisa foi melhorando à medida que Alissandra se entrosava com os colegas. Hoje, afirma ter amigos em seu ambiente profissional. Satisfeita, ela pensa que esta primeira experiência é de grande ajuda para sua inserção posterior no mercado de trabalho em sua área de interesse: o ensino de libras. “Meu sonho é me tornar professora de Libras, para crianças. Faço pedagogia. Estou no quarto ano, estou quase me formando.”

Fonte: Portal Terra (09/05/11)

Diário do Nordeste Quarta-feira - 11 de maio de 2011 Assine nosso RSS Notícias Esporte Entretenimento Variedades Serviços Blogs Especiais Cidade EDUCAÇÃO Portadores de deficiência estão longe da escola


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Dados do IBGE revelam que o Ceará está entre os cinco estados do País com maior ocorrência de pessoas com deficiência (17,34% da população). Fortaleza tem 292 mil pessoas
FOTO: ALEX COSTA (10/06/2010)
Em Fortaleza, apenas 2.600 alunos com necessidades especiais estão matriculados nas 461 escolas públicas
Palestras, seminários, congressos e debates, na teoria, a sociedade é ciente das dificuldades quando o assunto é inclusão de pessoas com deficiência nas escolas. Para se ter uma ideia da realidade, segundo dados do Senso Escolar 2010, dos 707 mil 251 estudantes matriculados na rede estadual e municipal de ensino do Ceará, incluindo Capital e Interior, apenas 24 mil 435 são crianças e jovens com deficiência, o que representa apenas 3,46% do total de alunos.
Na manhã de ontem, o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com deficiência do Estado do Ceará (Cedef), vinculado a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), promoveu, evento para debater a proposta de educação inclusiva baseando-se na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. O objetivo do encontro com mais de 60 entidades, foi realizar um diagnóstico da realidade atual no Ceará para implementar novas práticas na área da educação inclusiva.
Pesquisa
Atualmente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ceará está entre os cinco estados do País com maior ocorrência de pessoas com deficiência (17,34% da população) e Fortaleza possui 292 mil pessoas, destes, apenas 2.600 estão matriculados na rede municipal de ensino. Mas, muitas vezes, as dificuldades de inclusão começam dentro de casa.
O estudante Tiago Márcio Sales, 25 anos, aos 17, sofreu um acidente grave de moto e depois de 29 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado.
Mesmo sofrendo preconceito por parte de sua família, que não acreditava que ele poderia ser incluido novamente na sociedade, Sales voltou a estudar, concluiu o ensino Médio em uma classe regular de uma escola municipal e fez cursos de extensão na área da engenharia elétrica. Hoje, faz parte de movimentos à favor da inclusão de pessoas com deficiência na escola. "Eu nunca desisti de mim mesmo, pois apesar de todas as dificuldades, barreiras físicas e sociais, eu acreditei da minha capacidade. A política de inclusão é essência para o desenvolvimento da aprendizagem da pessoa com deficiência", ressalta.
Para Antônio Alves Ferreira, presidente do Cedef, a educação inclusiva é fundamental, contudo tão importante quanto, é sair do alvo teórico das discussões e ir para a prática. "Estamos reunidos não somente para debater, mas para procurar soluções e estabelecer metas", garante.
Da mesma opinião partilha a defensora pública Amália Rocha, assessora do gabinete da secretária da Justiça. Conforme ela, a palavra de ordem da Secretaria é efetividade. "Exercer o direito da pessoa com deficiência não é fácil, nem rápido, mas é uma luta constante e só se conquista no exercício do dia a dia. Momentos como esse são importantes para esclarecer dúvidas e pensar em estratégias", afirma. Amália Rocha.
DIREITOSSecretarias se unem a favor da inclusão
Salas com recursos multifuncionais, livros em braile, cadeiras especiais, equipamentos auditivos. Sonho? Não, realidade. As secretarias da Educação do Ceará (Seduc), Municipal de Educação (SME) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) estão realizando ações efetivas para garantir os direitos educacionais das pessoas com deficiência.
No ano passado, a Seduc criou o Centro de Atendimento Educacional Especializado do Estado do Ceará (Creaece). A unidade educacional, que funciona no prédio do Instituto de Educação do Ceará, reúne todas os serviços de apoio as diversas áreas de educação especial.
Segundo Gewada Weyne Linhares, assessora técnica da Coordenação de Diversidade e Inclusão da Seduc, o objetivo do Centro de Atendimento é gerar, socializar e aplicar o desenvolvimento de suas ações em todo o Estado, através do atendimento educacional especializado, da produção de material didático/pedagógico, apoio pedagógico específico e a formação de professores, pais e alunos.
Ainda de acordo com ela, até o fim de 2011, o Centro de Atendimento pretende capacitar mais de 8 mil pessoas da Capital e do Interior do Estado. "O Creaece foi implantado para constituir numa ação política pública integrada, em todas as esferas administrativas governamental, contando com a parceria das instituições públicas e privadas e a comunidade".
Uma outra ação realizada, que está sendo realizada pela SME em parceria com a Seduc e a UFC, é o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, apoio à oferta de Atendimento Educacional Especializado (AEE). As salas disponibilizam mobiliários, materiais didático-pedagógicos, equipamentos de informática e outros recursos de acessibilidade.
Na rede estadual de ensino 200 escolas possuem esse recuso e na rede municipal já são 166 instituições. Segundo Rita Vieira, professora da Faculdade de Educação da UFC e coordenadora do curso de Formação de Professores em AEE, somente este ano, cerca de 3.500 professores da rede estadual e municipal de ensino estão sendo capacitados para atuarem nas Salas de Recursos Multifuncionais.
"A ideia é que as crianças e jovens com deficiência possam desenvolver suas capacidades cognitivas e motoras com recursos especiais durante o contra turno da escola. Assim, é possível eliminar várias barreiras de aprendizagens", ressalta a professora da UFC.

KARLA CAMILA
ESPECIAL PARA CIDADE
 

NBR Entrevista: Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aposentadoria especial para pessoas com deficiência pode ser aprovada, diz Lindbergh

[Foto:]
O projeto de lei que garante aposentadoria especial às pessoas com deficiência vinculadas ao Regime Geral de Previdência Social (PLC 40/10) tem todas as condições para ser aprovado no Senado. A afirmação foi feita durante discussão da proposta nesta quinta-feira (5), na Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência, pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que também é relator da proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Lindbergh disse esperar pela breve aprovação da proposta, de autoria do ex-deputado Leonardo Mattos, uma vez que já conversou com os segmentos envolvidos e com o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves. A reunião também tratou do Benefício de Prestação Continuada e da pensão por morte.
A proposta de Mattos já foi aprovada na Câmara dos Deputados e nas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.
Na audiência desta quinta, o ex-deputado, que atualmente é vereador em Belo Horizonte, lembrou que a matéria ficou cinco anos na Câmara e já está no Senado há um ano. Na avaliação do senador Wellington Dias (PT-PI), mesmo que a matéria volte à Câmara em razão de alterações feitas pelo Senado, será rapidamente aprovada naquela Casa.
Uma das preocupações de Leonardo Mattos se refere à indefinição das categorias de deficientes. Esse ponto, informou a representante do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Maria José de Freitas, está sendo discutido em minuta de proposta que vai sanar limitações do Decreto 6.214/07, que Regulamenta o Benefício de Prestação Continuada da assistência social devido à pessoa com deficiência e ao idoso.
Também a concessão do Benefício de Prestação Continuada depende do conceito de deficiência. Maria José de Freitas ressaltou que o critério adotado para concessão dos benefícios é o sugerido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que incorpora fatores sócio-ambientais para caracterizar as pessoas com deficiências.
A subprocuradora-geral do Trabalho Maria Aparecida Gugel observou que a legislação cria incapacidade para o trabalho não prevista na Constituição ou na Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Em sua opinião, as regras devem levar à reabilitação da saúde e acesso a próteses, assim como à habilitação ao trabalho.

Iara Farias Borges / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fortaleza sediará audiência da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação

Fortaleza será a primeira cidade do País a sediar as audiências públicas que vão discutir em todas as regiões a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE). A audiência será realizada pela Comissão Especial do PNE, em funcionamento na Câmara dos Deputados, no próximo dia 16 de maio, a partir das 9h, no plenário 13 de Maio, da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.
Na ocasião, estarão presentes o presidente da Comissão Especial do PNE, Gastão Vieira (PMDB/MA) e o relator da Comissão, Angelo Vanhoni (PT/PR).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Contratar pessoas com deficiência: benefícios dentro e fora da organização

Além de cumprir a lei, contratação de deficientes pode ser vista como estratégia das empresas que valorizam e respeitam o ser humano.
Em 1991 foi sancionada a Lei 8.213/91, que prevê a obrigatoriedade da contratação de pessoas com deficiência por empresas com mais de 100 funcionários. Segundo dados do Ministério do Trabalho, 14,5% é o percentual de deficientes em relação à população geral produtiva no Brasil. Destes, apenas 4,1% tem condições de entrar no mercado de trabalho. E dos 240,4 mil cargos ocupados por trabalhadores com algum tipo de deficiência no país, 50,8% possuem problemas físicos, 28,2% sofrem com dificuldades auditivas, seguidos pelos que tem deficiências visuais (2,9%), mental ou intelectual (2,4%), múltiplas (1,7%) e reabilitados (14%). “A contratação de deficientes ainda é baixa em relação ao esperado, mas está crescendo”, afirma Eberson Luiz Federezzi, diretor da empresa de recursos humanos Global Network.
No Paraná 71,38% dos trabalhadores com deficiência inscritos nas Agências do Trabalhador conseguiram empregos efetivos no período de janeiro de 2008 a junho deste ano. “Um problema que dificulta a inserção deste tipo de candidato no mercado de trabalho é a falta de qualificação e formação profissional. Quem deseja estudar enfrenta uma série de desafios, desde a acessibilidade das escolas e universidades até o preparo dos professores para atender estes alunos”, explica Eberson.
Segundo o especialista, as empresas também precisam estar preparadas para receber estes profissionais. “É essencial que haja acessibilidade, equipamentos e materiais de auxílio necessários como softwares específicos, mas nada que seja extraordinário. O ideal é deixar bem claro quais serão as funções deste funcionário, para que ele mesmo exponha suas necessidades de acordo com o grau de sua deficiência”, acrescenta. Também é necessário preparar quem já trabalha na empresa para receber o novo colega.
Além de cumprir a lei, a contratação de deficientes pode ser vista como estratégia das empresas que valorizam e respeitam o ser humano, primam pela cidadania e pela inclusão e buscam contribuir para uma sociedade melhor. “Quando a empresa possui este tipo de posicionamento, seus colaboradores também se tornam multiplicadores dessa ideia, disseminando valores e princípios louváveis a toda comunidade”, ressalta.
E os benefícios não para por aí. Os consumidores estão de olho na responsabilidade social das organizações, aumentando a competitividade. “Os ganhos dentro da organização também devem ser levados em consideração. Em geral este tipo de colaborador motiva a equipe a superar obstáculos e vencer desafios, procura estabilidade e busca explorar todo seu potencial. Eles só precisam de uma oportunidade para começar”, finaliza.

Fonte: incorporativa.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Isenção em veículo novo é direito para deficientes

Cadeirante Dirceu Farias ao lado do pai, Raimundo Farias. O universitário teve uma paralisia cerebral no momento do parto, por isso, necessita de alguém para conduzi-lo

Clique para AmpliarO universitário, Dirceu Firmino, conseguiu na Justiça o direito de comprar um carro com imposto reduzido

Sobral Os portadores de deficiência física podem comprar carros novos e usados com isenção de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). As isenções de impostos reduzem em cerca de 25% o valor do automóvel. Mas nem todos alcançam este benefício, negado muitas das vezes pelos Estados federalizados.

Em Sobral, Município da Zona Norte do Estado, o estudante do Curso de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Dirceu Farias Firmino, aluno do 9º período e estagiário do Ministério Público Federal (MPF), ganhou na Justiça esse direito. O processo, iniciado em abril do ano passado na 1ª Vara Civil da Comarca de Sobral, foi acatada pelo juiz, Maurício Fernandes, que garantiu a compra do veículo automotor, negado anteriormente pela Secretaria da Fazenda do Estado. "Essa não é uma conquista só minha, mas de todos da minha família e dos amigos que lutaram e apostaram na minha vitória", disse Dirceu Farias.

O universitário teve uma paralisia cerebral no momento do parto, em virtude de falta de oxigênio, o que afetou a sua coordenação motora, deixando-o com tetraparesia e numa cadeira de rodas. O pai, Raimundo Firmino Farias, trabalha como eletricitário, numa empresa privada. "As condições de locomoção do meu filho me levou a buscar meus direitos. Hoje, tudo que ele vai fazer precisa da minha ajuda", disse Dirceu Farias, acrescentando que "seu filho não apresenta nenhuma mobilidade nas pernas, além de motricidade dos braços, de tal maneira que necessita de motorista para conduzi-lo a todos os seus compromissos".

A necessidade lhe chamou a atenção para buscar o direito que a Constituição assegura. O pai de Dirceu conta que uma reportagem veiculada no Jornal Nacional da Rede Globo destacou o direito. "Assistir uma reportagem no Jornal Nacional falando de uma pessoa portadora de deficiência física que havia entrado na Justiça para adquirir o direito de comprar um carro com Isenção de ICMS e IPVA. A Receita Federal não discrimina o deficiente, como está na Constituição, se é habilitado ou não, então resolvi entrar com um mandado de segurança contra a Fazenda Pública do Estado reivindicando também esse direito", finalizou Raimundo Firmino. O caso dele não o único no Ceará. Em 2010, o professor da rede pública do Estado, F.B.L., ganhou na Justiça o direito de adquirir um veículo especial com isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O professor, portador de deficiência física, teve seu reconhecido por decisão da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que manteve a sentença de 1º Grau.

"O Estado tem o dever constitucional de assegurar o direito subjetivo da pessoa portadora de deficiência física. Só a concessão da isenção dos tributos estaduais, incidentes sobre a aquisição do veículo, possibilitará a inclusão social do deficiente físico", afirmou, na época da sentença, o desembargador Francisco Gurgel Holanda.

Conforme os autos, F.B.L., de 63 anos, é portador de arqueamento da perna esquerda e, por isso, tem dificuldade de locomoção. Ele tentou comprar um veículo com isenção de ICMS, mas o pedido foi negado pelo Núcleo da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz), em Iguatu, no dia 29 de fevereiro de 2009. O titular da 1ª Vara da Comarca de Iguatu, juiz Ricardo Pinheiro da Silva, julgou a ação procedente e determinou que a unidade fiscal da Sefaz concedesse a isenção do ICMS ao professor.

O Estado do Ceará interpôs recurso de apelação cível no TJCE, objetivando modificar a decisão do magistrado.

Wilson gomesColaborador
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mercado de Trabalho para Pcd no Brasil

O Ceará é o Estado cuja população com deficiência está mais inserida no mercado de trabalho por conta de ações fiscais, de acordo com levantamento do Espaço da Cidadania Das 29,3 mil pessoas com deficiência, 13,2 mil estão trabalhando, equivalente a 45,3% do total. Já Santa Catarina ficou com a última posição no ranking com apenas 3,4% das 30,2 mil pessoas com deficiência em idade economicamente ativa empregadas.
São Paulo, por sua vez, tem 43,5% das pessoas com deficiência em idade ativa empregadas por conta de ações fiscias, de acordo com a pesquisa. O Estado tem o maior número de pessoas com deficiência do Brasil: 246,4 mil. O Paraná com o segundo maior número de pessoas com deficiência do Brasil (45,2 mil) ficou na penúltima posição, com apenas 4,1% delas empregadas. (Veja: Currículo: Dicas para o candidato deficiente)
Muito melhor do que a vizinha Santa Catarina, o Rio Grande do Sul ficou com a quarta posição com 42,8%. No quinto lugar ficou o Amazonas. O Estado nortista tem 36,7% de sua população com deficiência empregada, total de 5,3 mil de um universo de 14,5 mil. “Impressiona que Estados mais ricos tenham baixa inserção de pessoas no mercado de trabalho enquanto outros, como o Ceará na primeira posição, têm mostrado números positivos“, afirma o gerente de inclusão e capacitação da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), Marcelo Vitoriano.
O Brasil como um todo tem apenas 23,8% das 851 mil pessoas com deficiência empregadas.

Fonte: http://www.expressomt.com.br/